À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Nasceu
Nasceu, nasceu, espalhem as novas
Avise a Sherlock que eu tenho provas
Mas não houve crime nem contravenção
Mande-o vir e trazer o ‘caro Watson’
Isso da samba, avise o Cartola
Chame Dominguinhos, o Jorge e Paulinho
Mas fale pra ele não esquecer da Vióla
Que hoje vai ter de partido-alto a chorinho
Mande o Machado esconder do Bentinho
Porque ela não pode cruzar seu caminho
Se dos olhos de ressaca saiu Ezequiel
Ele vai morrer por seus olhos de mel
E o Pessoa que prepare o humor
Pois serei um rídiculo incurável
Com milhões de cartas de amor
E um sentimento esdrúxulo intocável
Mande Van Gogh parar de besteira,
Que aquele Gauguin não vale uma orelha
E mande-o também parar de fazer cena
Para pintar logo algo bonito pra minha pequena
Avise ao Cazuza, exagerado sou eu
Me jogo ao seus pés, como ele prometeu
E eu condordo quando ele diz aquilo
De ter a sorte de um amor tranquilo
Enfim, hoje nasceu o amor da vida de todos vocês
Hoje nasceu o amor da vida do amor.
Parabéns pelo dia de seu nome Daniele Tavares, amo você.
sábado, 15 de março de 2014
Meu amigo
Sou melancólico por natureza
Réu confesso da tristeza
Do infortúnio, da incerteza
Mas em tudo isso, há beleza
E lhe digo em verdade
Que ainda há vaidade
Aversão à intimidade
Mas aprendi que nunca é tarde
Ouso te dizer amigo
Que depois de a ter comigo
Minha vida faz sentido
E é com ela que hoje eu sigo
E completo camarada
Que depois de sua chegada
Se o amor virou piada
Não seguro uma risada
Meu amor não é diferente
Faz o melhor da gente
Deixa meu sangue quente
E meu coração dormente
Sendo assim meu chegado
Se um dia for amado
Ame muito, desregrado
E quando estiver cansado
Ame mais um bocado.
Escrevi na quinta, mas não tinha coragem de postar, acho que agora não faz mais diferença.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Partida e consequência.
Como ir embora se meu futuro está talhado na cabeceira da sua cama, meus pesares seguram as cartas que lhe enviei para que o vento ou o tempo não soprem para longe, meus infortúnios e minhas penas dormem dentro do seu travesseiro velando seu sono e garantindo os mais doces sonhos, assim como meu calor se esforça para te manter aquecida a noite, independente de quantos abraços isso custe. Me diz como pode você que bebeu das minhas lagrimas e comeu minha alma me pedir para partir? Depois de se fazer meu lar, de me amar sem ressalvas como pode me pedir pra deixa-la?
Digo que não, pode você não me querer mais aqui, pode você se enganar e partir mas seu coração ainda bate por mim, carregando meu sangue nas veias e me fazendo sentir seu amor, seu sorriso mesmo quando forçado ainda leva minhas piadas sem Graça, minhas imposturas e minhas desinteligências, nas suas mãos ainda existe o vão que meus dedos magros e desajeitadamente grandes deixaram e na sua mente, entre um sapato e uma notícia popular, meus apelos ainda ecoam longínquos em sintonia aos seus, que foram aprisionados nas grades que um dia guardou nosso amor.
Não, não vou partir, te condeno a ser feliz comigo, te sentencio a ver todos os dias pela manha meus olhos brilhantes a se iluminar com seu reflexo, te castigo com todos os versos de amor que essa mão possa exprimir, com todas as batidas que esse coração possa apanhar, todos os sorrisos, todos os beijos que a urgência dos meus lábios saciarem, todos os "não"s que me obrigarei a dizer e todos os "sim" que me forem permitidos. Te condeno ao meu amor.
Isto posto, te reservo o diteito de defesa, como a lei obriga, e informo que toda queixa será retirada mediante a devolução dos bens roubados, são estes, você inteira e minha metade de volta.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
A peça
O vento sonoro da sua respiração, ecoado entre afagos e carinhos e refletindo num poço de virtudes o que somos. Somos um. Somos vários. Em meios aos gritos e pragas de amor, segue tênue e quase subconsciente um pedido, implora-se por mais, por menos e por tudo. Imploro por ti.
Cada dia sem seus olhos é cego, cada dia sem seu calor é gélido, cada noite sem seu carinho é breu. Como se cada vida que rasteja pelos cantos da cidade estivesse a procura de ti, ou alguem que seja para eles o que você é para mim. O encaixe (im)perfeito, que range, emperra mas nunca quebra nem deixa de funcionar, aquele que mantêm as coisas em ordem, e os sentimentos ordenando.
Guardo, para você, numa mala preta de couro todos os ‘sim’ que um homem pode dizer sem perder a hombridade, guardo embaixo da cama todos os poréns que possam existir entre a gente, jogo aos sete mares as sete pontas da estrela que lhe entrego, jogo aos seus cuidados de presente, meu futuro e passado.
E no meu passado, os pertences perderam poder, praticamente privados de preciosismo, perecem de pesar em pequenos palacetes. Podendo parar, pensar e ponderar, porque persistimos nos poréns, porque passamos a passagem privados do proveito, privados da paixão…
Não entendo quem diz que não ama porque não quer, quem poderia negar mutar-se para o melhor de si, ainda levar a razão consigo no peito?
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Castelo.
Tenho medo de me perder, a melhor parte de mim na verdade
Uma parte que nem eu sabia que existia, uma que eu conheci esses dias…
Minha parte mais contente
Do olhar cor de cacau
Tão profundo, tão ardende
Minha parte mais carnal
A metade melhor que eu
Que tem tudo que eu preciso
Que ganhou tudo o que é meu
Que mastiga o meu juizo
É a parte pra quem eu canto, pra quem recito
Por quem eu choro, por quem eu fico
Que encontra paz nos meus conflitos
Que transforma o não querer em ‘querido’
Já não existe mais eu
Sou em ti o melhor que posso ser
Já não existe mais breu
Pelos seus olhos eu, hoje posso ver
E sem saber se sou eu em mim ainda
Me perdi nas suas veias, me afogando e me apegando em você
E já cansado, no seu peito repousado, descobri bem la no fundo sem querer
Que por sorte, ou talvez por acaso, a Rainha das Princesas hoje é minha!
(Não é dos melhores, mas as vezes é tanto no nosso peito que as palavras jorram sem sentido.)
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Conversa de buteco
…
- E o que foi então?
- O sorriso, me apaixonei pelo sorriso. – Respondeu ele.
- Mas só isso? Tanta mudança por um sorriso?
- Não é só um sorriso, é o sorriso mais lindo que eu ja vi.
- Mas se era só o sorriso, porquê não um parecido?
- Não, – Suspirou – é o conjunto, é o fato de que ve-la sorrindo acelera o coração.
- Cara isso acontece com frequencia, não vá se perder.
- O caminho que eu vou seguir é pra trilhar em par, achei minha co-piloto por acaso e agora a estrada está mais iluminada, talvez com mais curvas, buracos e entretantos, mas com certeza mais colorida e iluminada.
- E você ja disse isso pra ela?
- Não, tenho medo de começar a falar e não conseguir parar.
- Como assim?
- Se pudesse diria “eu te amo” a cada dois minutos, se tornou tão dispensável quanto o ar, e para não ser piegas tenho me controlado.
- Aqui está a cerveja senhor. – Disse o garçon à dupla de senhores, ja grisalhos, com alianças nos dedos. O primeiro, apaixonado e com a pele boa, e o outro mais cansado, mas os dois felizes.
Servindo-se em um copo com pouco colarinho como de costume, olhou para o companheiro e disse:
- Não sei se a amava aos 20 anos como se tivesse 50, ou se a amo hoje como se tivesse 20 primaveras apenas.
- O amor é um só velho amigo, independe da idade. – Disse o homem tomando um longo gole para encerrar o assunto.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Alexandria, 8/06. Com amor
‘Olá, tudo bem?
Finalmente acertei o destinatário, andava errando, entregando suas cartas no endereço errado, para a pessoa errada e talvez na hora errada. Algumas de suas palavras se perderam nesse tempo, e alguns sonhos morreram enquanto o que ficou se tornou mais forte e mais completo. Talvez nessa carta faltem algumas letras, pois as mesmas se mancharam nas lágrimas do tempo, ou foram trocadas por outras mais brandas, mas não se preocupe que não faltarão palavras de amor. Outra coisa que pode ter se perdido nos correios, entre cartões postais e convites de casamento, são alguns sentimentos, mas nenhum que você fosse aproveitar num futuro proximo.
Sei que as vezes falo pouco, mas sou bom quando escrevo, tenho comigo que sou mais intimo do papel do que das pessoas. Ai vai um conselho, quando eu falar não preste atenção, faça-o quando eu calar.
Não vou te prometer o melhor namorado do mundo nessa carta, pois o que está no papel não pode ser discutido, mas te prometo com a minha palvra de honra o melhor que eu conseguir, um homem não pode ser tudo aquilo que ele sonhou, mas com certeza pode fazer o melhor daquilo que lhe foi dado, e Deus sabe como os céus têm sido generosos comigo.
Devo também lhe dizer que é amor. Apesar de ter alguns outros nomes, no seu íntimo, é amor. Das mil promessas que lhe fiz, pretendo cumprir todas, e das outras mil que lhe farei, pretendo fazer melhor do que será dito. Pretendo ganhar um mundo a cada sorriso seu, ser grande a cada beijo roubado, me perder nos seus cabelos, adormecer sempre e acordar com você. Se no seu livro de memórias couber uma nota minha, mesmo que pequena dizendo que te fiz feliz, mesmo que num minuto, vou me considerar o astro rei da minha propria obra.
Podia discorrer dias aqui sobre nós, ou sobre você mas ninguém nunca vai te ver com meus olhos e entender o brilho e a vontade quase que incontrolável de sorrir ao seu sorriso. Então termino esse postal com um beijo no canto da boca, quase contra o tempo, pra sentir sua respiração na minha, pra por algum tempo respirar com você.
Do seu, não Principe sem cavalo e inábil, novato e extremamente apaixonado.
Amor, gordo, preto, nego… dessa vez ta facil de assinar.’
