"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
(Campos, Álvaro de. Tabacaria. Portugal, 1928)

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Eu precisava de você



Eu precisava de você, mas não como um homem precisa de uma mulher, era mais como um lobo ferido precisando de sua matilha, eu precisava de muito mais do que eu podia oferecer, de muito mais do que eu podia pedir, eu precisava de carinho, compreensão, eu precisava ouvir sim, eu precisava de mentiras sinceras. Em toda minha vida eu nunca precisei tanto de alguém como eu precisava de você.

Eu precisava de você para colorir mesmo que por 5 segundos o negrume que estava minha vida, precisava de muitos abraços, muitos beijos, muitas declarações. Eu não precisava competir, eu não queria discutir, eu só queria paz, a sua paz. Não é como se houvesse alguma dívida a ser paga, mas eu tentei sempre estar lá por você e contava cegamente que quando a exaustão dominasse todos os meus músculos e minha mente só quisesse fazer parar você estaria ali, não pra me arrastar, mas pra dizer que ficaria tudo bem. Eu precisava acreditar num futuro com você, num futuro melhor, eu precisava acreditar que valeria a pena. Eu precisava de bom dia, de boa noite, eu precisava saber que alguém estava ali por mim, e não por obrigação, mas por acreditar.

Estou desestruturado, desequilibrado, perdido de mim. A culpa pode bem ser minha, mas todos os meus erros foram pelo mesmo motivo de que eu precisava de você.

Eu fui forte por você, fui duro por você, fui seco, fui simpático, eu me distrai por você, me levantei, me deitei, eu bebi por você, eu me animei com coisas bestas, eu me irritei muito por você. Nesses meses tudo o que eu fiz e deixei de fazer tinha você e agora eu sei que não tinha nada de mim do outro lado. A dúvida é se era pior ser motivo, ou nem isso.

E agora, no momento mais cruel da minha vida, onde está você?

terça-feira, 19 de junho de 2018

Homo hominis lupus




"O homem é o lobo do homem", Tomas Hobbes

Volto pra este muro dos murmúrios pois mais uma vez tenho um peito muito cheio e uma mente muito vazia. Vamos para um breve contexto, minha vida anda estagnada (na verdade aparentemente minha vida é o curupira, já que o tempo é a única coisa que não para) e me encontro novamente em uma situação em que nada está sob meu controle.

A frase que abre essa postagem é uma coisa que a algum tempo, entre crises de desespero, solidão e raiva, eu tenho pensado bastante: como o ser humano cava sua própria cova, prega seu caixão com carinho e depois queixa-se de ser jogado dentro dele, como em busca de uma felicidade que nunca irá existir por muito tempo o homem abre mão das migalhas que o impediam de passar fome. O tempo indica que eu estava certo e isso é apavorante, quantas desconfianças eu deixei passar por medo de estar certo, quantas vezes me questionei se realmente estava ocupando o lugar que era meu ou se estava apenas de passagem naquela cadeira. Acredito que isso contribuiu para que minha estadia se encurtasse substancialmente, mas quem quer esquentar cadeira não é mesmo?

De certo que o medo não é mais uma preocupação, não tenho mais nada a perder. Olhando pra trás, vejo que não tive sonhos enquanto me preocupava com os problemas que os sonhos de outrem me trariam, quais, quando e como eu os realizaria. Não tinha muito espaço para meus desejos entre obrigações sociais, conjugais e profissionais. Tive muitos defeitos, muitos mesmo e pouquíssimas qualidades, por isso apenas as críticas me aqueciam ao dormir nas noites frias das quais tento me esquecer. Não sou partido raro, nem exemplo de companhia, mas uma coisa te digo, sou fácil de agradar, sempre um café com leite e um pão na chapa, as vezes com requeijão na saída. E era sempre neste "as vezes" que as coisas complicavam, sempre no esforço extra, sempre no último bloco e tudo sempre desmoronava.

E deve ser por isso que mereço tão pouco. Ainda assim sinto falta deste tempo.

Não como ele era e sim como está em minha memória.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Guardo na Carteira

 

 

“Existe sempre muito a ser falado em situações como essas. Assim como, na maior parte dos casos, nada precise ser dito.

A caminhada é parte do ser humano, estar em movimento, sentir o ar entrar nos pulmões e acerca disso, o medo do próximo passo vai ser sempre um fator a ser considerado antes de se tomar decisões. Entretanto precisamos de um lar, assim como todo navio precisa de um porto para se fazer útil em todo o seu potencial, se não, tem o mesmo valor que um isopor boiando por anos nos mares.

A minha filosofia se esvai no momento em que me torno refém, não daquilo que foi ou que será, mas daquilo que poderia ter sido. Tantos lugares, tantas pessoas, tantas palavras e tudo aquilo que não será, assim como minha banda, minhas aulas de artes marciais, minha iniciação cientifica, ou as mil corridas matinais pelos parques que foram postergadas e esquecidas com o giro do relógio ou das folhas no calendário.

Não quero parecer ingrato, sei do valor de todas as coisas e sei que tive muita sorte enquanto toda aquela chuva caía. Sei de todo o conforto e toda segurança que fui contemplado, sei que nem todos dão o devido valor, sei de mais mil coisas. Não sei de nada, enfim. “

Isso foi um rascunho inacabado, mais um dos mil textos que não consegui terminar. As vezes eu quero que esse site seja sobre poesia, sobre textos e sobre pensamentos mas, inevitavelmente, ele se torna sobre mim. Conheço poucos assuntos mais desinteressantes do que eu, ainda assim aqui estou.

Esse texto é, como diria Tati Bernardi, um grito de socorro por ter um peito transbordando. Tenho mil coisas pra falar, nenhuma nova. Não abri meu coração, de fato, pra ninguém, não acho que as pessoas saibam melhor do que eu a forma como eu devo viver então não fico pedindo opinião, tomo minhas decisões e abraços as consequências.

-Não conseguirei terminar este texto também, não tenho palavras pois não sei o que quero dizer. Na vida chega a ser mais fácil, ninguém repara se você escreve sua história com as palavras erradas.

 

 

PS. Muitas coisas mudaram. Minha carteira não, no bolso de moedas ainda existe um tesouro. O que era presente, hoje é memória.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Vinte e quatro meses.



São dois anos né? Eu sempre preferi números pares, são completos. Os ímpares até que não são ruins, mas me dão a sensação de que falta alguma coisa, são sempre a metade, quase lá, nunca são totais.
É um par né? Que sorte a minha, também somos. Uma dupla, os opostos e um contraste.
Até o zero, era incompleto, a partir de então, foi completando, preenchendo e iluminando cantos que eu nem sabia que existiam. Ainda não está completo, mas está melhor!
Tantas coisas que eu consigo pensar a respeito da dualidade, o sol e a lua, o fogo e a água, o céu e a terra, o claro e o escuro, e todas elas se encaixam muito bem nas nossas vidas (olha aí, outro par bonito).
Vou te confessar que eu gosto do ‘nossa’, do ‘vamos’ ou do ‘temos’, casei bem com essa primeira pessoa do plural.

Acho que está desconexo, assim como a nossa vida, assim como os nosso porquês e assim como nós mesmos, quando singulares, mas te prometo, enquanto formos dois, amor não vai faltar.
Feliz par. sz 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Das coisas que eu amo

 

 

Não sou exatamente um fã da vida, gosto de poucas coisa e amo quase nenhuma. Isto dito posso listar as coisas que me fazem sorrir de verdade.

 

- Música boa e alta.

- Cinema, seriados e desenhos criativos

- Bons livros, boas histórias

- Conhecimento

- Boas vistas

- O mar

- O céu

- Rir

- Esportes

- Redes

- Bacon

- Massas

- Comida (risos)

- Dormir

- Meus amigos do colégio

- Meus amigos

- Corinthians

- Minha família (a lista não está em ordem)

 

Essas são as coisas e pessoas que me fazem bem, mas tem uma coisa que não entra na lista, uma coisa que deve estar junto de todas essas coisas. Existe um sorriso que ilumina e potêcializa qualquer alegria, existe um toque que acalma e tranquiliza qualquer turbulência, existe uma pessoa que melhora a minha imperfeição e coloca muitas peças no lugar. Essa pessoa não entra na lista porque ela da sentido para todo resto.


Enfim, minha família é a razão, meu amor é o sentido!

 

 

*Essa postagem aconteceu não por inspiração ou necessidade como as outras, mas por acúmulo de pensamentos. Tenho refletido bastante sobre o que me faz bem e feliz e o que não, e esse final de semana tive alguns exemplos disso, a formatura de uma amiga, presenteei minha namorada, casamento dos meus tios e o jogo do meu time. Descobri que ainda existem coisas que eu gosto e que a sensação de tê-las já um acalanto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Uma postagem

 

 

Olá, como vai?

Senti falta de escrever mas não senti o que iria escrever. Na verdade não tenho o que dizer. A vida rasteja por entre os dedos dos pés descalços e os assuntos seguem-na em marcha militar. Quantos Charlie Hebdo adormeceram no oriente médio sem saber se iriam acordar, quanto da história ficou entre os comerciais do Fantástico, quantos homem bomba não morreram tentando explodir o sistema aqui no Brasil com uma Glock na mão e sangue nos olhos, quantos deles ainda vão tentar?

Temos assuntos e manias, misturamos os dois com o olhar de quem já escolheu um lado e viramos guerrilheiros de causas que sabemos apenas a ponta do iceberg. Como guerreiros romanos, nos armamos dos argumentos deles e partimos pro confronto, sempre do lado do bem, sempre contra o mal.

Enquanto mergulharmos nos nossos próprios egos e esquecermos dos fatos que fundamentaram nossos dias, o passado voltará a nos assombrar nos impedindo de um futuro civil e pacífico.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Herói



E tudo parecia ele, o dia, o fogo queimando o carvão e até o sol resolveu aparecer para saudá-lo. Aquilo era o resumo do que ele é, a alegria, as pessoas, os sorrisos, o churrasco e a cerveja. Foi um aniversário simples, não teve bolo e nem discurso. Não tive tempo nem de comprar seu presente, e me senti mal por isso. Ele aparentemente não ligou muito, ele nunca liga, ele é o tipo de pessoa que tira do proprio prato só pra matar a vontade de um dos filhos.


Com ele aprendi a ser homem, a querer mais, a não desistir (as custas de muita bronca). Por causa dele vou ser engenheiro. Um dia pretendo ser metade do que ele é. Parabéns atrasado pai, te amo.