"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
(Campos, Álvaro de. Tabacaria. Portugal, 1928)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tudo sobre saudade



Já dentro do quarto sua sombra revelava as curvas mais perfeitas já imaginadas entre os mortais, como dois montes admiráveis seus seios despontam de um tronco desenhado com maestria e capricho e eram sustentados com realeza e leveza como se estivessem orgulhos do corpo que lhes fora dado. E na penumbra de um quarto à meia luz seu abdômen indicava o caminho com a pele delicada que refletia os poucos raios da lua cheia que brilhava naquela noite.

Com o rosto encoberto pela escuridão e as coxas e sexo maliciosamente ocultados por um lençol de ceda escarlate, sua voz ecoou nas paredes do quarto, e de minha alma me chamando para perto de você e lutando contra todos os meus instintos, pois o desejo de que o tempo resolvesse descansar naquele instante só não era maior do que a vontade quase animal de me jogar sobre você te fazendo sentir todo o meu peso e todo o meu desejo de uma só vez, caminhei em sua direção contando os passos, contando talvez as vidas que passaríamos juntos e guardando mentalmente cada movimento seu, com a esperança de que um dia pudesse imprimir minhas memórias, emoldura-las e exibi-las num museu particular, para que só meus olhos egoístas pudessem ver.

Conforme a distância entre nós diminuía, como as cortinas do maior espetáculo do mundo, o luar revelava mais de você e apesar de conhecer todos os seus traços, naquele momento senti o retesar dos músculos do meu corpo, ao ver como você me olhava, com os olhos de felina depositados sobre os meus, pobres olhos deslumbrados, quase me congelou, entretanto lá estava eu em movimento novamente, apesar do sinal de perigo que estampava seus olhos cor de mel meu corpo continuava a ir em sua direção, como se exercito nenhum no mundo pudesse me parar, o banquete estava servido, e eu era a presa me oferecendo pra ser abatido.
Incontáveis as ondas de arrepios que se seguiram ao primeiro contato, sua boca suspirando na minha, seus cachos entre meus dedos, minhas mãos explorando seu corpo como se o tato fosse meu único sentido, e era, assim como eram também todos os outros. Reconheceria seu cheiro inebriante submerso por mil oceanos, ouviria um gemido sussurrado a meio mundo de distância e te veria nua em lugares que você nunca chegou a pisar. E tudo isso se emaranhava e rodava conosco na cama, e eu cego, surdo e mudo sentia o bico rígido do seu seio dançar com a minha língua, suas unhas traçavam as mais perfeitas linhas em minhas costas e sua boca procurando a minha encontrava as veias do meu pescoço, meu corpo e por fim meu sexo. Eram feitos um para o outro, sua língua ágil parecia controla-lo e se enrolava, rodeava e acariciava-o tão intensamente que minha pulsação acelerava, a ponto de explodir você me olhava nos olhos e seu olhar ansiado me fazia respirar e apenas um pensamento dominava meu consciente.

“Eu tenho que levar essa mulher ao êxtase”

Sem eu menos esperar tinha todas as suas curvas sobre mim e com um sussurro pediu “Te quero dentro de mim”, aquelas palavras foram recebidas como uma ordem.
Meu membro pulsava e latejava por você e como que se nunca tivesse estado em outro lugar ele escorregou por entre suas pernas molhadas. Te sentir por dentro foi inexplicável, inenarrável, imensurável. Em meio as contrações, suspiros e sussurros minha virilidade entrava e saia como as ondas na beira da praia e assim como o mar beija as montanhas incessantemente eu colava meu rosto no seu, minha boca na sua e então nossos gemidos eram um. O ritmo da nossa dança aumentou e como seu homem, tornei-me a única coisa entre você e o céu, era eu então seu único caminho ao paraíso, nossos corpos suados se chocavam, a pele macia da sua boceta contraía e meu pau respondia com mais uma investida, os gemidos se tornavam gritos, as mãos que outrora ofereciam carinho agora apertavam, puxavam e batiam, quando suas costas começaram a arquear te coloquei de quatro, suas costas brilhavam de suor e sua boca sorrindo de prazer se transformou num suspiro quando voltei a penetrar, sua bunda contra minha pele, seus cabelos na minha mão, na outra a sua cintura. Meu corpo se aproximava no êxtase quando me segurei e percebi em sua voz cada vez mais alta, e seus gemidos cada vez mais incontroláveis que nosso ponto alto estava próximo.

E como a última nota de um saxofone naquele antigo Blues, gozamos juntos, você gritou, se contraiu e me puxou pra perto de você, estávamos ligados, unidos e éramos um. Ainda com minha semente escorrendo entre suas pernas nos deitamos, já era dia e o sol despendia da janela iluminando o quarto e os dois amantes que se olhavam com olhos que acabaram de substituir o desejo carnal por ternura, mas que nunca, em nenhum momento deixaram de carregar consigo o amor, mutuo e intocável.

Exausto beijei sua testa, seu rosto e seus lábios, você sorriu e um segundo antes de dormir a vida toda fazia sentido.

(Estou com saudades meu amor.)